segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O retorno do Jeca

Tapete Vermelho

tapete-vermelho-poster01 Ano: 2006

Direção: Luiz Alberto Pereira

Duração: 102 min.

Gênero: Comédia(mas para mim soa mais como um drama)

Elenco: Matheus Nachtergaele (Quinzinho); Gorete Milagres (Zulmira); Vinícius Miranda (Neco); Rosi Campos (Maria da Fazenda Paineiras); Ailton Graça (MST - Mané Charreteiro); Zé Mulato E Cassiano (Dupla De Violeiros No Bar Do Ico); Yassir Chediak (Seu Renato / O “tar”); Jackson Antunes (Gabriel); Paulo Betti (Aparício); Débora Duboc (MST- Sebastiana/mulher De Mané Charreteiro); Paulo Goulart (Caminhoneiro); Cássia Kiss (Tia Malvina); Cacá Rosset (Dono Do Cinema Em SP).

Uma bela e comovente homenagem ao Jeca mais famoso do Brasil – Mazzaropi. Muita gente nem ouviu falar dele nos dias de hoje, e nem faz idéia do quanto este homem, foi importante para o cinema nacional. Tapete Vermelho nos mostra a trajetória de Quinzinho, um típico jeca, que fez uma promessa de levar seu filho para assistir a um filme de Mazzaropi no cinema. O problema é que não existe cinema em sua cidadezinha do interior paulista e ele sai, juntamente com a mulher e o filho em busca dessa aventura. No seu caminho irão cruzar personagens do folclore e das lendas do povo da roça, mas como nem tudo é lindo, eles também vão ver de perto a dor, a perda e a maldade das pessoas.

É um filme simples, feito para gente simples, nem precisa pensar, basta assistir e viajar no tempo. Eu me senti criancinha voltando ao tempo dos filmes em preto-e-branco, dos risos por coisa boba e lembrei que os filmes hoje em dia são todos cheios de efeitos especiais, sem a nostalgia daquela época. Certo que as coisas evoluem, é óbvio! Mas deu saudade da simplicidade. O andar, os trejeitos do Matheus, não tem como não comparar e ver a cópia (quase idêntica) do Mazzaropi. Ah! E a pureza! Sim, a pureza no olhar, na confiança de dar seu burro a um estranho, de buscar incansavelmente seu filho perdido, e da modinha de amor para sua mulher. Gente pobre ajuda gente pobre, gente simples abre a porta da sua casa e dá a mão a quem mal conhece, coisas raras do nosso cotidiano.

Uma cena memorável é o deslumbramento de Neco, filho de Quinzinho, ao ver um cinema por dentro, pela primeira vez, aquela tela enorme, o olhar dele diz tudo. Eu já vi esse olhar antes, na minha filha, aos três anos de idade e ao assistir seu primeiro filme no cinema, e onde eu ouvi a pérola: “imagina o tamanho do controle remoto!”. Um momento mágico, inesquecível.

É isso aí, eu me encantei com esse filme tão simples, tão bobinho e tão singelo. Demorei muitos anos para descobri-lo, mas nunca é tarde para ver e recomendar uma boa estória. Parabéns ao elenco, ao roteirista, ao diretor, e a todos que tiveram a genial idéia de trazer aos dias de hoje algo tão simples e bonito.

Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre Mazzaropi, existe um museu só dele. Vale conferir. http://www.museumazzaropi.com.br/

BOM - Cópia

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Nem tudo que vem da água é peixe...

Ondine

ondineAno: 2009

Direção: Neil Jordan

Duração: 111 min.

Gênero: Drama, Romance

Elenco: Colin Farrell (Syracuse); Alicja Bachleda (Ondine); Stephen Rea (Padre); Tony Curran (Alex); Emil Hostina (Vladic); Dervla Kirwan (Maura); Alison Barry (Annie).

Para quem gosta das lendas e do folclore irlandês, Ondine é um prato cheio. Esta é a estória de Syracuse (Colin Farrell), um pescador azarado e ex-pinguço que tem sua vida transformada após “pescar” literalmente uma mulher em sua rede. Esta, por sua vez, faz mistério de quem é, e apresenta-se como Ondine (que significa ninfa da água). Syracure tem um grande amor que é sua filha Annie (a ferinha estreante Alison Barry), que sofre de uma doença renal e que se encanta com Ondine - interpretada pela atriz polonesa Alicja Bachleda) - e passa acreditar que a mulher na verdade é uma selkie, um ser da mitologia celta, que pode conceder desejos e trazer sorte. Pai e filha começam a acreditar na fantasia após estranhos acontecimentos que coincidem realidade com ficção. Mas, como em todo conto de fadas, nem tudo são flores, logo o lado negro da coisa vai aparecer e toda felicidade pode desmoronar a qualquer momento.

É um filme interessante, mas para mim, o Colin Farrel estava no papel errado, na hora errada, no filme errado. Ele não passa de um tremendo canastrão querendo fazer papel de santo. Não rola! O lugar do Colin Farrel é em filmes de ação, por mais irlandês que ele seja, por mais fofo que ele possa parecer, ele não passa a credibilidade que o personagem precisa, ele não seduz. Posso até está sendo injusta, mas esse foi o ponto fraco do filme. A Alicja Bachleda, ao contrário do seu parceiro, é meiga, mágica, linda, e docilmente fascinante, como sua personagem ela é quase tão etérea como só uma ninfa pode ser. A química entre eles (Alicja e Colin) funciona, mas não me encanta. Já a menina – Alison Barry – me lembrou um pouco a Dakota Fanning, mas mais chatinha, apesar do banho de atuação. E como é um filme irlandês, do Neil Jordan ainda mais, tinha que ter Stephen Rea, como o bom padre conselheiro.

A trilha sonora é um caso a parte, porque quando você vê a costa irlandesa, com aquele mar bravo, os penhascos, o vento forte, ao fundo um som viajante e ao mesmo tempo envolvente, não tem como não ficar fascinado. A música te transporta, te seduz e encanta. Temos belas canções de Sigur Rós. O visual é lindo, a trilha sonora é perfeita. É um filme que vale conferir, sem muitas expectativas, mas um belo conto irlandês.

Interessante

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

LUCY MARIA BOSTON

Através do Tempo (From Time To Time)

From_Time_to_Time Ano: 2009

Direção: Julian Fellowes

Duração: 95 min.

Gênero: Drama

Elenco: Alex Etel(Tolly); Maggie Smith (Linnet); Dominic West (Caxton); Timothy Spall (Boggis); Hugh Bonneville (Captain Oldknow); Carice Van Houten (Maria Oldknow); Eliza Bennett (Susan); Pauline Collins (Mrs. Tweedle); Harriet Walter (Lady Gresham); Douglas Booth (Sefton); Allen Leech (Fred Boggis); Kwayedza Kureya (Jacob).

Esta é a história de Tolly, um garoto de aproximadamente 13 anos que vai passar as férias com a avó paterna em sua mansão, no sul da Inglaterra. O período é o final do ano de 1944, durante a II Guerra Mundial. A casa é muito antiga e as paredes escondem histórias e fantasmas que o tempo não conseguiu apagar. Tolly começa a ver os fantasmas do passado e a dividir com eles sua história, onde, passado e presente se misturam formando uma trama que pode levá-lo a desvendar mistérios há muito esquecidos em outras épocas.

Amei esse filme! É uma mistura de “Os Outros”(2001) com “Linha do Tempo” (2003). O passado depende do presente e o presente não existiria sem o passado. Com um elenco de peso da dramaturgia inglesa, infelizmente “From Time To Time” passou despercebido pelo mundo. Pouca gente viu ou ouviu falar desta obra.

O diretor Julian Fellowes foi buscar no baú de sua infância a fascinante história das aventuras do garoto Tolly, adaptado do clássico romance infantil The Chimneys of Green Knowe (As Chaminés de Knowe Verde de 1958), segundo livro de uma série de seis, escritos pela inglesa Lucy Maria Boston (1892-1990).

Algumas considerações interessantes...

  • Lucy M. Boston só teve seu primeiro livro publicado após seus 60 anos de idade.
  • Todas as histórias são passadas em Green Knowe, uma bela casa antiga que foi inspirada da verdadeira casa de Lucy, The Manor, em Hemingford Grey, Cambridgeshire, Grã-Bretanha. The Manor tem mais de 900 anos e é uma das casas mais antigas de toda a Bretanha.
  • As histórias de Lucy são baseadas nas experiências familiares vividas por ela.
  • No início da década de 1950, Lucy Boston começou a pensar em escrever a sério. Seu único filho, Peter foi sua inspiração para Tolly, e ele passou a fazer todas as ilustrações para seus livros. Hoje, a viúva de Peter, Diana, mantém a casa (The Manor) aberta ao público. Se você estiver um dia de bobeira na Grã-Bretanha, dá uma passadinha para visitar a casa e o jardim (dizem que é lindo), entre no site http://greenknowe.co.uk/index.html para obter mais informações.
  • Diana Boston foi de extrema importância para a realização da adaptação cinematográfica das chaminés de Green Knowe. Após assistir a inúmeras entrevistas de Julian Fellowes dizendo que a série fazia parte de seus livros favoritos da infância, Diana resolveu procurar o diretor, contar que ela morava na verdadeira Green Knowe e quem era ela. Daí para frente, tudo começou a andar e logo From Time To Time já estava pronto.
  • Diana, além de ser a guardiã da casa The Manor, ela trabalha arduamente para manter vivo o legado de Lucy M. Boston, editando independentemente a maioria dos seus livros.

É um filme bonito, muito britânico, sobre família e seus segredos. Vale conferir. Eu amei.

Interessante

domingo, 30 de janeiro de 2011

Mais que um clichê...

O Discurso do Rei (The King’s Speech)

Ano: 2011

Direção: Tom Hooper

Duração: 118 min.

Gênero: Drama

Elenco: Colin Firth (Rei George VI – Bertie para a família); Helena Bonham Carter (Rainha Elizabeth); Derek Jacobi (Arcebispo Cosmo Lang); Geoffrey Rush (Lionel Logue); Calum Gittins (Laurie Logue); Jennifer Ehle (Myrtle Logue); Dominic Applewhite (Valentine Logue); Ben Wimsett (Anthony Logue); Freya Wilson (Princesa Elizabeth); Ramona Marquez (Princesa Margaret); Michael Gambon (Rei George V); Guy Pearce (Rei Edward VIII – David para a família); Patrick Ryecart (Lord Wigram); Simon Chandler (Lord Dawson); Claire Bloom (Rainha Mary); Orlando Wells (Duque de Kent); Tim Downie (Duque de Gloucester); Timothy Spall (Winston Churchill).

Fantástico! Esta é a palavra para definir “O Discurso do Rei”. Eis uma aula de como fazer um filme emocionante sem ser de ação, ou 3D, ou cheio de papagaiada. Basta ter nas mãos um bom roteiro e um elenco de mestres da atuação para que o sucesso seja imediato. Não é à toa que “O Discurso do Rei” está com 12 indicações nesta 83ª edição do Oscar. Melhor Filme; Melhor Diretor (Tom Hooper); Melhor Roteiro Original; Melhor Ator (Colin Firth); Melhor Ator Coadjuvante (Geoffrey Rush); Melhor Atriz Coadjuvante (Helena Bonham Carter); Melhor Fotografia; Melhor Edição; Melhor Trilha Sonora Original; Melhor Direção de Arte; Melhor Figurino; Melhor Mixagem de Som.

Em 16 de janeiro de 2011, no Golden Globe Awards, considerado a prévia do Oscar, Colin Firth já arrastou o prêmio de Melhor Ator de Drama. Tudo indica que poderá ser o ganhador do prêmio maior com sua excelente atuação em “O Discurso do Rei”.

Sou fã ardorosa do Colin Firth desde seu apaixonante Mr. Darcy, mas como Bertie ele está simplesmente insuperável. Você vê todo o drama, todo o sofrimento e todo o desespero em seus olhos quando ele, Duque de York, tem que falar em público. Ele consegue passar para o espectador o medo, a tristeza, a vergonha e principalmente a solidão e o desespero de ser um homem público gago. Você sente com ele toda essa agonia. É simplesmente fantástico!

Isso sem falar no show à parte de Geoffrey Rush. Este notável ator australiano de 59 anos, já reconhecido pela academia por seu papel em Shine, agora tem mais uma chance de angariar outro Oscar com seu eloquente Lionel Logue, um homem que não se rende ao medo por respeito a um rei, mas se entrega nessa total amizade em busca de uma confiança há muito perdida.

E temos por fim a estranha Helena Bonham Carter, em um papel de âncora como Elizabeth (a Rainha Mãe), pois é ela quem dá a base e o apoio necessário a Bertie para que ele não desista e supere seus traumas e medos. Uma atriz fascinante quando está longe dos estranhos e obscuros personagens de seu marido (Tim Burton).

Um filme cheio de diálogos, de emoção e dramas. Esta é a história de um rei, um rei por ocasião, pois não lhe foi dado o trono como herdeiro principal após a morte de seu pai. O trono lhe veio somente após seu irmão David (Rei Edward VIII) abdicar de seu reinado para poder se casar com o amor de sua vida, Wallis Simpson, uma americana divorciada. [Um aparte: não gostei da forma como Edward foi retratado, nos dá a nítida impressão que ele era um homem totalmente fútil e inconsequente, dominado por uma mulher insuportável. Mas isso é outra história.] Voltando ao que interessa... Bem, Bertie, antes de ser coroado Rei, começa a tratar-se com o Sr. Lionel Logue, que o ajuda a controlar sua gagueira. Deste trabalho nasce uma grande amizade, onde profundas cicatrizes serão curadas com o tempo e muita perseverança.

O Discurso do Rei” é um filme brilhante, sem firulas e sem cenas de ação. É basicamente composto de diálogos e interpretações veneráveis. Se prendam aos detalhes, aos olhares de desespero, de súplica, de aceitação e apoio. É quase inconcebível aceitar a cena de um Rei aos gritos de shit, shit, shit, fuck you, fuck you, fuck you. Chega a ser até engraçado.

Fico imaginando toda a agonia que este nobre inglês passou durante boa parte de sua vida – como se não bastassem todos os protocolos, floreios e normas de comportamento e vivência – para controlar sua gagueira perante uma multidão de pessoas que contam com você como um ser quase divino. Deveria ser algo realmente sufocante e desesperador.

Para nós, pobres mortais, seres comuns, ser gago já é complicado, pois ser diferente normalmente é motivo de chacota. Imagine para um governante, um rei. Nada na vida vem fácil, e mesmo para um rei, ele teve muito mais batalhas pessoais a serem travadas e conquistadas, e superação é isso. Essa é uma história de superação e de amizade, um clichê bem batido em Hollywood, mas feito de uma forma primaz e contundente. Vale conferir.Excelente

sábado, 29 de janeiro de 2011

Impetuosa Adèle Blanc-Sec

As Múmias do Faraó (Les aventures extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec)

as-mumias-do-farao_Les-aventures-extraordinaires-d-Adele-Blanc-Sec Ano: 2010

Direção: Luc Besson

Duração: 105 min.

Gênero: Aventura

Elenco: Louise Bourgoin (Adèle Blanc-Sec); Mathieu Amalric (Dieuleveult); Gilles Lellouche (Inspecteur Léonce Caponi); Jean-Paul Rouve (Justin de Saint-Hubert); Jacky Nercessian (Marie-Joseph); Philippe Nahon (Professeur Ménard); Nicolas Giraud (Andrej Zborowski); Laure de Clermont-Tonnerre (Agathe Blanc-Sec).

Adèle é uma jovem e aventureira repórter capaz de qualquer coisa para conseguir o que quer. Ela vai até o Egito em busca da cura da doença de sua irmã, na tumba secreta de um faraó. Ao retornar para Paris, ela percebe que o pânico tomou conta da população. Um ovo de dinossauro de milhões de anos se chocou misteriosamente no museu e a criatura está aterrorizando a cidade. Além disso, coisas estranhas continuam acontecendo no museu. Mas, nem o perigo e nem todo mistério por trás dos curiosos acontecimentos impedirá Adèle de conseguir salvar sua irmã. Prepare-se, a aventura está apenas começando!

Primeiramente sou fã de Luc Besson e A-M-E-I essa homenagem a um dos maiores cartunistas franceses Jacques Tardi. Raros os casos como os cartuns de Asterix e Tintim, no Brasil, nunca se ouviu falar de Adéle Blanc-Sec, esta impetuosa, cínica e corajosa repórter dos quadrinhos de Tardi. Personagem de sucesso na França, no período de 1976 a 2007, Adèle era até então desconhecida da maior parte do público brasileiro. E para não mudar o estilo, assassinaram o título do filme com o nome em português de “As Múmias do Faraó” – de quem será que foi essa idéia criminosa de escolher um título tão chinfrim assim??? Vale morrer!!!les_aventures_extrodinaires_dadele_blanc-sec_final_poster Até o pôster original é mais interessante!

Vamos ao que interessa...

Adèle na verdade é uma Indiana Jones de saia, só que com menos efeitos especiais e com muita impetuosidade feminina. Ela é cínica de doer, pensa rápido como o MacGyver, apronta como o Indiana e no fundo é tão louca quanto Rick O'Connell, essa é a heroína desse filme! Ela não obedece ninguém, e faz o que dá na telha para atingir seu objetivo. E tem as múmias, sim, elas aparecem na metade do filme, roubam a cena e fecham a trama, mas não justifica a escolha do nome em português.

Luc Besson arrasa ao recriar o visual da virada do século de uma França charmosa antes da I Guerra Mundial, o cuidado com os pequenos detalhes, um figurino impecável e fotografia espetacular. Há piadas desnecessárias, vilões que poderiam ser apagados da trama, mas nada que atrapalhe a diversão.

Sem muitos efeitos especiais, Les Aventures Extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec é um filme de aventura que garante uma sessão da tarde divertida e interessante para todos os gostos e idade. Como tudo que Luc Besson faz, eu gostei e vale conferir. E mais uma vez, a parceria Luc Besson e Eric Serra funciona muito bem na trilha sonora. Interessante

Related Posts with Thumbnails