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sábado, 23 de abril de 2011

No que você acredita?

O Ritual (The Rite)

O-Ritual-poster Ano: 2011

Direção: Mikael Håfström

Duração: 114 min.

Gênero: Drama; Terror; Suspense.

Elenco: Anthony Hopkins (Padre Lucas Trevant); Colin O'Donoghue (Michael Kovak); Alice Braga (Angeline); Ciarán Hinds (Padre Xavier); Toby Jones (Padre Matthew); Rutger Hauer (Istvan Kovak); Marta Gastini (Rosaria).

Muito já se falou sobre esse tema e a melhor produção já feita em todos os tempos continua sendo o clássico “O Exorcista”, de 1973. Mas “O Ritual” tem seus méritos.

Este não é um filme de terror, cheio de sustos, vômitos e sangue. [Se você gosta disso, passe longe. Essa não é sua praia.] É um excelente suspense, tenso e dramático, sobre a fé, seus questionamentos e sua religiosidade.

Kovak não acredita no demônio e tem certeza que tudo o que ele vê são apenas problemas psicológicos, e que é preciso saber diferenciar possessão de doença mental. Mas todas as suas teorias e sua falta de fé são testadas a partir do momento em que ele se envolve nos rituais de exorcismo do padre Lucas (Anthony Hopkins). E este, por sua vez, toma a cena do filme. Anthony Hopkins, como há muito não se via, dá um encanto maligno ao seu personagem. Podemos ver de volta o velho olhar psicótico do Dr. Hannibal Lecter, e todo o cinismo que só ele (e Jack Nicholson) tem. Creio que ele estava certo ao dizer que foi um dos melhores filmes que ele fez nos últimos tempos.

Contamos ainda com a sutil participação de Ciarán Hinds (Captain Frederick Wentworth de Persuasão – Jane Austen) e Rutger Hauer (o eterno replicante louraço Roy Batt de Blade Runner). E temos ainda a Alice Braga, que na verdade seu papel seria o de Matt Baglio(*), a jornalista que busca uma história real sobre exorcismo, nada demais. O lado mais fraco do filme se deve ao seu protagonista Colin O’Donoghue, pois seu Michael Kovak é tão descrente e insosso que você fica na certeza que não crê em nada do que ele faz.

Um detalhe: a cena em que Padre Lucas atende ao celular em meio a um exorcismo, é demais, exagerada, mas engraçada. Ajuda a quebrar um pouco a tensão do filme. 

Apesar de ter um tema já muito batido, "O Ritual" nos envolve e seduz de uma maneira simples e ao mesmo tempo, intensa. Não há grandes sustos ou cenas terríveis, e isso dá o tom de veracidade da história. Eu recomendo para quem gosta de um bom drama com uma pitada de suspense. Vale conferir.Interessante

(*) O Ritual foi inspirado no livro The Making of a Modern Exorcist de Matt Baglio.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Contos Assombrados do Recife - Parte 3

Malassombramentos : os arquivos secretos d'O Recife Assombrado

Malassombramentos1 Ano: 2010

Organizador: Roberto Beltrão

Editora: Edições Bargaço

Brochura – 22,5 x 14 cm

1ª Edição – 146 pág.

Neste terceiro livro da Trilogia "d'O Recife Assombrado", com colaboração de Geraldo Fraga, Fábio Rafael (adorei suas ilustrações), Jaqueline Couto, André Felipe de Andrade, Sérgio Nilsen Barza e claro, o próprio Roberto Beltrão. Mais uma vez, somos presenteados com uma maravilhosa coletânea de contos assustadores sobre as mais famosas assombrações do Recife. Lá estão a "Perna Cabeluda", o "Papa-Figo", a "Velhinha da Caxangá", e muitos outros personagens incríveis do folclore e das lendas pernambucanas.

Uma das coisas que mais gostei neste terceiro livro foi que, ao final de cada conto temos uma explicação mais detalhada sobre a época em que surgiu, a localização e as características de cada personagem assombrado. Isso acaba nos dando uma noção exata de como, quando e onde apareceu cada assombração. Passa a ser mais interessante, pois você fica sabendo onde encontrá-la, se for o caso. Quem sabe, andando de ônibus à noite pela Caxangá, ou ao sair de um bar tarde da noite no Poço da Panela... Essa sensação de saber que, bem próximo a você, no seu dia-a-dia, pode ter uma assombração ao seu lado, fica mais palpável quando se tem a noção de localização. É diferente de quando você lê um livro sobre assombrações e sua história se passa outro país, ou em um lugar desconhecido. No caso das assombrações "d’O Recife Assombrado" elas estão aqui do lado, no casarão que você passa todo dia em frente, na rua, nas praças, nos bares, nos lugares que você vê todo dia e nem imagina o quão assombrado possa ser. Isso é o que tem de melhor nesses novos textos, a localização e a noção de que, por onde quer que você ande, pode haver uma aparição, afinal, você está no Recife, uma das cidades mais antigas e assombradas do Brasil.

E para quem tem interesse no assunto ou histórias para contar, não deixe de ir visitar o blog do Roberto Beltrão (Assomblog), onde ele continua reunindo contos sobre assombrações.

Ah! Achei genial a aula detalhada de como contar histórias assombradas! Fico imaginando juntar minha filha com as amigas, e fazermos um sarau sobre fantasmas e aparições. Vou treinar... Depois eu conto como foi. ASSOMBRO

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Contos Assombrados do Recife - Parte 2

Assombrações do Recife Velho

images Ano: 2008

Autor: Gilberto Freyre

Editora: Global

Brochura – 23,5 x 16 cm

6ª Edição –233 pág.

'Assombrações do Recife Velho' traz 27 histórias do outro mundo, com seus devidos personagens, e apresenta um inventário de 12 casarões e prédios assombrados, inclusive do Teatro Santa Isabel, uma das preciosidades arquitetônicas da cidade do Recife, construído no século 19, obra do arquiteto francês Louis Léger Vauthier. A obra denota uma forma de versar particularidades locais, na perspectiva do que hoje está bem próximo ao que podemos chamar de histórias do imaginário. O livro traz ainda as ilustrações de Poty, artista curitibano que fez desenhos e pinturas para livros de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Jorge Amado e Rachel de Queiroz.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Contos Assombrados do Recife - Parte 1

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Quando me mudei para o Recife, fui morar na Casa Forte, Zona Norte. Para quem conhece a cidade, sabe que é um dos melhores bairros residenciais com seus casarões antigos, totalmente arborizado e com a sua bela praça onde está a Igreja Matriz da Casa Forte. Foi aí que eu comecei a ouvir as primeiras histórias sobre as assombrações da cidade. No carnaval, passa pela praça diversos grupos folclóricos e blocos carnavalescos e entre eles tem o bloco da “Perna Cabeluda”, e eu me perguntei o que era isso? Não tardei a aprender que a “Perna Cabeluda” faz parte das lendas e mitos da cidade. Comecei a pesquisar sobre essas lendas e cheguei ao site O Recife Assombrado [http://www.orecifeassombrado.com/index.html], e logo depois comprei os livros Histórias Medonhas d’O Recife Assombrado e Estranhos Mistérios d’O Recife Assombrado, do Roberto Beltrão (que também é um dos fundadores do site), jornalista pernambucano aficionado nas histórias sobrenaturais do Recife. Hoje, descobri que ele tem um blog também, e que amanhã vai ter uma palestra na Livraria Cultura sobre o assunto. Quanto aos seus livros, são curtinhos, rápidos e fáceis de ler, e muito, muito interessantes. Você acaba conhecendo a cidade e suas histórias de uma maneira divertida, assombrada e leve. De todos os lugares identificados, só não conheço a Cruz do Patrão, que é considerado o mais assombrado de todos os pontos. Acho o lugar esquisitão e muito deserto, por isso ainda não fui lá, mas vou arrumar tempo e coragem, é claro! Eu adorei cada um dos livros, o blog e o site e eu indico. Para quem quer dar uma relaxada no juízo e descobrir curiosidades assombradas de uma das cidades mais bonitas do Brasil, vale conferir.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Um chute na canela

A Estrada da Noite (Heart-Shaped Box)

a-estrada Ano: 2007

Autor: Joe Hill

Editora: Sextante

Brochura – 23 x 16 cm

1ª Edição – 320 pág.

Gênero: Terror - Suspense

Uma lenda do rock pesado, o cinqüentão Judas Coyne coleciona objetos macabros: um livro de receitas para canibais, uma confissão de uma bruxa de 300 anos atrás, um laço usado num enforcamento, uma fita com cenas reais de assassinato. Por isso, quando fica sabendo de um estranho leilão na internet, ele não pensa duas vezes antes de fazer uma oferta.
"Vou ´vender´ o fantasma do meu padrasto pelo lance mais alto..."
Por 1.000 dólares, o roqueiro se torna o feliz proprietário do paletó de um morto, supostamente assombrado pelo espírito do antigo dono. Sempre às voltas com seus próprios fantasmas - o pai violento, as mulheres que usou e descartou, os colegas de banda que traiu -, Jude não tem medo de encarar mais um.
Mas tudo muda quando o paletó finalmente é entregue na sua casa, numa caixa preta em forma de coração. Desta vez, não se trata de uma curiosidade inofensiva nem de um fantasma imaginário. Sua presença é real e ameaçadora.
O espírito parece estar em todos os lugares, à espreita, balançando na mão cadavérica uma lâmina reluzente - verdadeira sentença de morte. O roqueiro logo descobre que o fantasma não entrou na sua vida por acaso e só sairá dela depois de se vingar. O morto é Craddock McDermott, o padrasto de uma fã que cometeu suicídio depois de ser abandonada por Jude.
Numa corrida desesperada para salvar sua vida, Jude faz as malas e cai na estrada com sua jovem namorada gótica. Durante a perseguição implacável do fantasma, o astro do rock é obrigado a enfrentar seu passado em busca de uma saída para o futuro. As verdadeiras motivações de vivos e mortos vão se revelando pouco a pouco em A estrada da noite - e nada é exatamente o que parece.

Livro de estréia de Joe Hill, filho do aclamado escritor de terror Stephen King. Simplesmente maravilhoso. Eu devorei numa noite. Terror, tensão e um ritmo frenético transformam a narrativa empolgante em algo único. Joe Hill escreve sem mesuras, sem embromação. Ele é cru, puro, direto! Um chute na canela! Magnífico! Não espere um suspense lento onde as coisas acontecem passo a passo, com narrativas cheias de delongas. Nada disso. Quando você pensar, já aconteceu. É adrenalina pura! Eu só consegui desgrudar do livro quando terminei... Para mim, foi uma surpresa agradável. Muito bom, se não, um dos melhores do gênero.

transy_EXCELENTE

Neil Gaiman – Parte 1

O Livro do Cemitério (The Graveyard Book)

O LIVRO DO CEMITÉRIO Ano: 2010

Autor: Neil Gaiman

Ilustrador: Dave McKean

Editora: Rocco

Brochura – 20,7 x 13,7 cm

1ª Edição – 336 pág.

Gênero: Terror - Suspense

Um bebê escapa de seu assassino e encontra abrigo num cemitério. Lá, será criado por fantasmas e aprenderá sobre a vida com os mortos, seus melhores amigos. Enquanto ele cresce entre lápides e capelas mortuárias, o perigo continua rondando do lado de fora. A mesma lâmina que matou seus pais e sua irmã espera ansiosa para terminar sua tarefa.

Mas o garoto, conhecido como Ninguém, não está sozinho. Ele tem um guardião que não pertence nem ao mundo dos vivos, nem ao dos mortos; uma legião de amigos que muitas vezes só ele pode ver e ouvir, mas que podem assombrar seus inimigos; conhece os truques e os feitiços de seres de outros mundos, pode sumir e invadir sonhos.

“Um cemitério normalmente não é democrático; no entanto, a morte é a grande democracia...”

Não tem como não gostar de Nin, com sua pureza e inocência, e a falta de medo de um mundo que nos apavoraria! Estranha a família que salva sua vida e o adota, e aí fico pensando... O que se esperar de uma criança que cresce educada por fantasmas e um vampiro? Bem, esse é Nin, um garoto cativante e corajoso que me transporta a esse universo mágico e misterioso que é o lado de dentro de um cemitério. Onde o medo, o perigo e o desconhecido estão do lado de fora.

Mais uma vez, Neil Gaiman escreve um livro apaixonante, numa trama que fala de amizade, lealdade e amadurecimento. Não é a toa que ele é um dos meus escritores favoritos. Comecei a ler Gaiman aos 15 anos e nunca mais parei...

transy_EXCELENTE

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