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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Intocáveis – O segundo suspiro

Intocáveis (Intouchables)

intocáveis Ano: 2011

Direção: Olivier Nakache / Eric Toledano

Duração: 112 min.

Gênero: Drama / Comédia.

Elenco: François Cluzet (Philippe); Omar Sy (Driss); Anne Le Ny (Yvonne); Audrey Fleurot ( Magalie); Clotilde Mollet (Marcelle); Alba Gaïa Kraghede Bellugi (Elisa).

“Philippe (François Cluzet) é um aristocrata rico que, após sofrer um grave acidente, fica tetraplégico. Precisando de um assistente, ele decide contratar Driss (Omar Sy), um jovem problemático que não tem a menor experiência em cuidar de pessoas no seu estado. Aos poucos ele aprende a função, apesar das diversas gafes que comete. Philippe, por sua vez, se afeiçoa cada vez mais a Driss por ele não tratá-lo como um pobre coitado. Aos poucos a amizade entre eles se estabelece, com cada um conhecendo melhor o mundo do outro.”

Filme inspirado no livro “O Segundo Suspiro” de Philippe Pozzo Di Borgo.  intouchables-car

Um desbunde. Essa é a melhor palavra para descrever esse filme. Geralmente, filmes baseados em histórias verídicas são tristes, dramáticos e profundos. Não é o caso de “Intocáveis”. A história no filme deveria ser triste e cheia de dramalhões, mas não é. É mais do que isso. É uma risada de alegria, uma gargalhada de deboche. Cada cena, por mais estranho que pareça, é acompanhada por um sorriso. Isso mesmo, um sorriso em pleno drama. Muito se deve a atuação espetacular de Omar Sy, esse ator negro lindo e com um sorriso deslumbrante que cativa o telespectador desde a primeira cena. É uma figuraça!!! E sem falar no cheio de pompa Philippe, interpretado divinamente pelo francês François Cluzet – lembro-me dele no filme John & Janis. 

Daí dá para entender o sucesso desse filme no mundo todo, ainda mais sendo uma produção francesa e não americana. 

Muito já se escreveu sobre esse filme, afinal, ele ficou hiper badalado. Por isso não quero entrar em detalhes. Só digo uma coisa: ASSISTA! Vale cada segundo. Se você estiver triste, se você estiver alegre, independente do estado de espírito, ASSISTA! Ele levanta seu astral de uma maneira incrível. Recomendadíssimo. Diversão garantida, com direito a suspiros, torcidinha e tudo mais.

  Excelente

 

 

O Segundo Suspiro (Le second souffle suivi Du Diable gardien)

SegundoSuspiro Ano: 2012

Autor: Philippe Pozzo di Borgo

Editora: Intrínseca

Brochura – 21 x 14 cm

1ª Edição – 232 pág.

"Philippe Pozzo di Borgo era um executivo de sucesso e herdeiro de duas tradicionais famílias francesas. Porém em 1993 sua vida sofre uma reviravolta dramática quando, após um acidente de parapente, ele fica tetraplégico. Na mesma época, sua mulher, Béatrice, enfrenta uma doença terminal. Em meio à dor, Pozzo di Borgo isola-se em sua luxuosa casa em Paris e passa a ter como acompanhante o argelino Abdel, genioso e desinibido com as mulheres - mas que, por trás de sua fachada temperamental, também sofre da solidão e da sensação de deslocamento. Entre o aristocrata e seu 'diabo guardião', surge uma inesperada camaradagem que transforma suas vidas. Abdel introduz em seu cotidiano a aventura e o imprevisível, e Pozzo di Borgo descobre que, mesmo nas mais adversas das condições, é possível cultivar um intenso apetite pela vida, voltar a amar e ser amado."

Este livro foi escrito em duas partes. A primeira edição francesa estava esgotada e compreendia o período da vida de Philippe até 1998, conhecido como “O segundo suspiro”. Com o lançamento do filme “Intocáveis”, a editora propôs ao autor reeditar o livro com o complemento “O diabo guardião”, que compreende o período de 1998 (quando termina O segundo suspiro) até 2004. Com isso, fica claro que, a primeira parte do livro é a amostra do verdadeiro Philippe, um cara muito egoísta e cheio de problemas e que, mesmo com a mulher sofrendo de um câncer agressivo, ele continuava a olhar mais para o próprio umbigo do que para o mundo ao seu redor. Com o filme, veio à necessidade de abrir mais as informações sobre Abdel e o seu papel junto a Philippe e a Béatrice. Não que ele não fosse importante, bem pelo contrário, ele ensinou e mostrou outro mundo e outra maneira de ver o mundo a Philippe. Mas é justamente aí que eu me frustrei com o livro.

Tudo bem que, para se fazer o filme, foram necessárias diversas adaptações e algumas sutis alterações na história. Mas no livro é como se o Philippe só tivesse acordado para olhar o Abdel com outros olhos após a filmagem do documentário (não do filme) sobre sua vida. Ele só começa a detalhar a relação de amizade entre eles somente em “O diabo guardião”, e contar mais das maluquices do Abdel e da sua própria humanização.Abdel e Philippe

Um detalhe intessante é como surgiu o nome “Intocáveis”, pois vem daquela casta famosa indiana das pessoas impuras. Na sociedade que Philippe vivia, Abdel Sellou – um homem bruto, vindo do norte da África, além de tudo mulçumano – estava na pior das piores situações da escória que vive nos guetos das cidades francesas, ou seja, ele era pra lá de “intocável”, e na situação que Philippe passou a viver após o acidente e a morte de sua esposa, fez ele se sentir também “intocável”, o tipo de pessoa que ninguém queria por perto. Isso, só fica claro no livro, nos pequenos detalhes que Philippe vai abrindo aos poucos, mas de uma forma um tanto quanto confusa.

Em resumo, a história é interessante, mas como em raros casos, o filme é pra lá de grandioso, e eu realmente esperava bem mais do livro. Um bom livro que, por muitas vezes cansativo, por causa das viagens e divagações excessivas do Philippe. Mas não passa disso. Dá para ler numa tarde sem ter nada o que fazer. Fiquei muito frustrada. Lembro de que, quando terminei de ver o filme, saí direto para comprar e devorar o livro, já que o filme era tão fantástico, o livro deveria ser insuperável! Mas não foi. Um bom livro, mas não passa disso. Não espere muito.

 transy_BOM

sábado, 28 de janeiro de 2012

A revolução do cinema nacional: 2 Coelhos

Depois de um longo tempo de ausência, voltei a postar… Aêêêêê!!! Aleluia!!! Mas sem sacanagens, é sério, eu tinha que voltar a postar, deixar de ser tão preguiçosa e escrever sobre coisas interessantes a se ouvir, ler ou ver. Bem, sinto que voltei em grande, para não dizer, enorme estilo, porque meu povo, esse filme que me fez sair do ócio (e olha que o ócio as vezes é saudável) levanta até defunto!!! Bem, vamos ao que interessa…

2 Coelhos 

2 COELHOS Ano: 2012

Direção: Afonso Poyart

Duração: 108 min.

Gênero: Ação; Nacional. 

Elenco: Fernando Alves Pinto (Edgar); Alessandra Negrini (Júlia); Caco Ciocler (Walter); Marat Descartes (Maicom); Thaíde (Velinha); Thogun (Bolinha); Neco Vila Lobos (Henrique); Roberto Marchese (deputado Jader); Robson Nunes (parceiro de Velinha); Norival Risos (pai do Edgar).

Edgar (Fernando Alves Pinto) encontra-se na mesma situação que a maioria dos brasileiros: espremido entre a criminalidade, que age impunemente, e a maioria do poder público, que só age com o auxilio da corrupção.
Cansado de ser vítima desta situação, ele resolve fazer justiça com as próprias mãos e elabora um plano que colocará os criminosos em rota de colisão com políticos gananciosos.
Na medida que o plano de Edgar é executado, descobrimos pouco a pouco suas reais intenções e sua história, marcada por um terrível acidente e um amor que ele jamais esqueceu. 2 Coelhos é um enigmático suspense de ação onde cada minuto vale mais que todo o passado.

Tem dois filmes de ação que amo de paixão:  Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998) e Assassinos Por Natureza (1994). Hoje eu assisti a 2 Coelhos, e tive a nítida impressão de que, pela primeira vez, na história da minha vida, um filme de ação nacional conseguiu me emocionar. Adrenalina na dose certa! Era como seu eu tivesse num filme do Guy Ritchie com o roteiro do Tarantino, mas não, é um filme nacional, e de primeira linha! Esbabaquei!

2 Coelhos – para entendê-lo coloque no liquidificador o Guy Ritchie (para quem não conhece o ex-sr. Madonna – afe!) e mistura ele com o Tarantino, bata até ficar no ponto de ebulição e o resultado dessa mistura se chama AFONSO POYART, gravem esse nome! Essa cara é (se não é ele, tem que virar) o gênio que deu nova vida ao cinema brasileiro. Velocidade, câmeras nervosas, trilha sonora, fotografia, efeitos especiais e põe especiais nisso!!! Tudo lembra o estilo de dois grandes gênios do cinema de ação moderno – Guy Ritchie e Tarantino - mas com uma super dosagem de cinismo e emoção, que fazem a adrenalina subir e atiça a curiosidade de saber onde tudo aquilo vai dar.2coelhos2

Fui seduzida desde o primeiro segundo do filme. Não tem como não alucinar com a velocidade do vai e volta dos fatos. Das imagens e dos desenhos impactantes. Aquele negócio meio vídeo game, meio desenho, meio Hamlet (“ser ou não ser, eis a questão”), mundo nerd, bandidos malvados, políticos corruptos. Fantástico! E tenho certeza que vai ter muito bundão por aí dizendo que o cinema nacional foi corrompido e agora resolveu copiar filmes americanos! Danem-se! Filmaço! Copiar coisa nenhuma. Afonso Poyart investiu no que tem de melhor dos filmes de ação: um fio para uma boa estória, um elenco afinadíssimo com o conceito do filme, uma trilha sonora incrível (parabéns ANDRÉ ABUJAMRA e MÁRCIO NIGRO), ação sem exagero e muita narração! Amo filmes narrados com velocidade. Dá uma sensação meio voyeur, como se você fosse um observador bem de pertinho, dentro da cabeça da pessoa que narra tudo. É um bate-e-volta alucinante, mas muito bom.

O elenco é uma outra história. Nele temos bandidos famosos (Thaíde, Thogun, Marat Descartes, Robson Nunes, entre outros), mocinhos fofos (Caco Ciocler e Fernando Alves Pinto), mocinha gostosa (Alessandra Negrini) – filme brasileiro não pode faltar a “gostosa”. Mas sem sacanagem, a Alessandra Negrini está linda neste filme, e como sempre dá um banho como atriz, ela tem um ar de deboche eterno fascinante! E tem o político corrupto (Roberto Marchese) e o advogado safado (Neco Vila Lobos). Os mocinhos não são tão mocinhos assim - o Caco Ciocler dispensa comentários, pois mais do que já provou ser um excelente ator e um fofo. Mas nesse filme ele está com um visual de foragido do Afeganistão. Não gostei daquela barba! E o Fernando Alves Pinto eu não conhecia, muito prazer! Arrasou! Fernando mais parece uma mistura de Tyler Durden (Clube da Luta) com Johnny Quid (Rock’n’Rolla). Jeito de bobo mas puro ácido! Muito bom! Ahhh! Os bandidos… Eles são tão bons na bandidagem e na maldade que conseguem arrancar risos em cenas de pura hemorragia. Isso é uma sacada genial, pois quebra a violência dessas cenas com a sutileza do riso.

E tudo isso vem embasado numa trilha sonora trabalhada com muita genialmente por André Abujamra e Márcio Nigro. Puro deleite com Lenine (Paciência), Radiohead (Exit Music), Tom Waits (I’m still here), Titãs (Será que é disso que eu necessito), 30 Seconds To Mars (Kings and Queens), Matanza (Imbecil) e, como não poderia faltar uma musiquinha ruim, Avassaladores (Sou foda). Tudo bem! Filme com bandido tem que ter funk. Não é preconceito, mas realidade.

Não falei da história e nem vou falar, pois quem quiser comprovar, levanta a bunda do sofá e vai para o cinema. Meu povo, sabe quanto tempo eu não pisava em um cinema? Séculos! Morro de preguiça de enfrentar aquelas filas, e sair do conforto do meu precioso sofá e da telona da tv. Mas esse filme valeu! E se eu tiver chance, assistirei novamente! É muito bom! Para fãs do gênero de ação, esse filme não deixa nada a desejar a qualquer filme estrangeiro. Valeu cada segundo que eu não consegui despregar o olho da tela. Muito bom! Amei e recomendo. Segue o link da página do filme… http://2coelhosofilme.com.br/#videos

transy_EXCELENTE

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Homenagem aos mortos…

A Partida (Okuribito / Departures)

A PARTIDAAno: 2009

Direção: Yojiro Takita

Duração: 130 min.

Gênero: Drama.

Elenco: Masahiro Motoki (Daigo Kobayashi); Ryoko Hirosue (Mika Kobayashi); Kazuko Yoshiyuki (Tsuyako Yamashita); Tsutomu Yamazaki (Shōei Sasaki); Kimiko Yo (Yuriko Uemura); Takashi Sasano (Shōkichi Hirata); Tetta Sugimoto (Yamashita); Toru Minegishi (Toshiki Kobayashi); Tarō Ishida (Mr. Sonezaki).

“A Partida” mexeu com minha alma e me fez, conseqüentemente, parar para pensar na hora da partida. O respeito por quem parte, o amor e a delicadeza de todo o ritual, isso tudo me deixou com uma inveja danada, pois nós ocidentais não temos essas tradições com tantos detalhes e respeito.

A fotografia é maravilhosa. Pause o filme em qualquer cena e veja lá uma linda imagem. A música nem se fala... Tudo casa com a perfeição. É como uma tela de pintura mostrando toda a sua grandiosidade. Como um bom poema sendo representado na sua frente.

Tirando os clássicos de Akiro Kurosawa, nunca fui muito fã do cinema japonês, mas neste caso, fui conquistada e seduzida por esta obra tão cativante e sedutora.2009_departures_001

A história é bem simples... Daigo Kobayashi é um jovem casado que toca violoncelo em uma orquestra sinfônica em Tóquio. Mas, ela é dissolvida e ele fica sem trabalho. Por isso decide voltar a morar na sua cidade natal. Logo arruma um emprego como “noukan”, um tipo de personal style de defuntos. É uma profissão que não é bem vista por sua mulher e nem por seus conhecidos, até o momento em que precisam usar de seus serviços.

Na verdade, as profissões de “dono de funerária”, “embalsamador”, “coveiros” e afins nunca são bem vistas. As sociedades tendem a discriminar profissões ligadas à morte, seja desde o legista ao coveiro. Isso é natural, pois a morte teoricamente assusta, enfeia e junto a ela normalmente vem sofrimento. No caso deste filme vemos uma face diferente. Onde a morte é uma partida para uma viagem (sem volta), mas se vamos partir, partiremos com dignidade, com beleza e um certo requinte. A maneira de tratar o cadáver com tanto respeito é simplesmente encantadora. Tem todo um ritual, uma delicadeza e uma profunda deferência para com o morto. As pessoas só passam a dar valor a este trabalho e a reconhecerem o quanto ele é importante e imprescindível quando se veem necessitando de seus serviços. [SPOILER] Tem uma cena que marcou muito esta visão: eles chegam atrasados na casa de um cliente, e o marido da morta está indócil, grosseiro. Após todo o ritual, você nota que não há mais lágrimas nos olhos dos familiares e sim carinho aliado ao respeito. Um sentimento de honra fica claro nessa hora.a-partida-3 E a senhora que estava morta fica não com a aparência de um cadáver, mas de quem está serenamente dormindo no momento de sua partida. Aí sim, o marido vem e agradece os feitos por sua família e sua mulher. E exatamente neste instante fica claro o valor desta profissão.

Tem uma série de fatores envolvidos nos detalhes do filme... A lembrança dolorosa do pai que foi embora, o estudo contínuo do violoncelo, a “carta de pedra”, a relação marido X mulher X trabalho, o orgulho, o perdão...

Um filme lindo, perfeito, como há muito eu não via. Emocionante. Vale mais do que conferir. Vale ter, ver, assistir e rever sempre que puder para não esquecer o quanto coisas que parecem tão pequenas e insignificantes são importantes em nossa vida.

Mais detalhes sobre este filme no blog http://1filme.net/a-partida-2008.Excelente

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Dama Fantasma

Café da Manhã em Plutão (Breakfast on Pluto)

breakfast_on_plutoAno: 2005

Direção: Neil Jordan

Duração: 135 min.

Gênero: Drama.

Elenco: Cillian Murphy (Patrick/Patrícia 'Kitten' Braden); Conor McEvoy (Jovem Patrick Braden); Liam Neeson (Padre Liam); Ruth Negga (Charlie); Laurence Kinlan (Irwin); Stephen Rea (Bertie); Brendan Gleeson (John-Joe); Gavin Friday (Billy Hatchet); Eva Birthistle (Eily Bergin/Eily Lookalike); Ruth McCabe (Mãe Braden); Steven Waddington (Insp. Routledge).

Alguns filmes a gente assiste gosta, mas esquece. Outros são encantadores, e nos marcam e mexem com a gente de uma maneira impressionante, sem motivo algum passam a fazer parte daqueles filmes “perfeitos”. Este é o caso de “Café da Manhã em Plutão”. Me encantei com a triste e corajosa trajetória da vida de Patrick ‘Kitten’ Braden. Tudo poderia ser bem normal para o universo cinematográfico: “Um bebê é deixado na porta de uma igreja; o padre entrega a criança para adoção; a criança – um menino – gosta de se vestir de menina; a mãe adotiva despreza esse menino; ele descobre que é adotado e sai em busca de sua mãe verdadeira”. Até aí seria apenas mais uma história triste, mas não. Neil Jordan com sua visão incomum consegue, mais uma vez, nos seduzir com um personagem tão comovente e apaixonante quanto Patrick “Kitten” Braden. breakfast-on-pluto-2005-05-g

O próprio Patrick nos conta sua história em flashback, e vai abrindo este conto, que mais parece uma fábula (note os passarinhos falantes da abertura) sobre as vicissitudes de sua vida. Neste ínterim vemos que não somente nós, mas todos os personagens que circulam em torno de Patrick acabam envolvidos por sua docilidade contagiante. Um bom exemplo é o policial que depois de torturá-lo se rende e passa a ajudá-lo. O filme é cheio dessas coisas. Pessoas que entram na vida dele e se encantam. A docilidade e ingenuidade de Patrick são tão grandes que chegam a confundir com loucura. Mas ele tem uma missão, encontrar sua verdadeira mãe - “A Dama Fantasma” – e em momento algum ele perde o foco.

No contexto histórico nos deparamos com as tragédias vividas pelo povo irlandês – o filme se passa na Irlanda e na Inglaterra – ocasionadas pelos atentados do grupo terrorista IRA (Exército Republicano Irlandês), no período dos anos 60 e 70.

Café da Manhã em Plutão é baseado na obra do romancista irlandês Patrick McCabe.

18469661Como é um filme de Neil Jordan não é de se estranhar o Stephen Rea no elenco, o que é previsível. Liam Neeson está sedutor como o padre Liam. Mas o show é de Cillian Murphy que nos dá uma aula de como construir um personagem sem cair no burlesco. Seus trejeitos são tão delicados e femininos que em alguns momentos chegamos realmente a acreditar que Patrick na verdade é Patrícia.

Um filme surpreendente, uma aula sobre sexualidade, amizade, aceitação, coragem e acima de tudo persistência. Embalado por uma trilha sonora fantástica e atores magníficos! Me encantei com a "Kitten" e sua história. Cillian Murphy mais uma vez dando um show de atuação. Salve a "Dama Fantasma"!!! Vale conferir.Excelente

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Apenas uma árvore…

Flipped – O Primeiro Amor (Flipped)

1290770951831flipped2010Ano: 2010

Direção: Rob Reiner

Duração: 90 min.

Gênero: Drama; Romance.

Elenco: Morgan Lily (Jovem Juli Baker); Madeline Carroll (Juli Baker); Penelope Ann Miller (Trina Baker - mãe); Aidan Quinn (Richard Baker - pai); Ryan Ketzner (Jovem Bryce Loski); Callan McAuliffe (Bryce Loski); Rebecca De Mornay (Patsy Loski - mãe); Anthony Edwards (Steven Loski - pai); John Mahoney (Chet Duncan – avó do Bryce).

Este é um filme encantador, com uma história simples, pode-se até dizer bobinha, mas apaixonante. Juli conhece Bryce aos 7 anos de idade e se encanta por “olhos deslumbrantes” desde o primeiro momento em que o viu, enquanto Bryce cria aversão a ela. Essa é uma história de amor, como muitas outras, em que, menina ama menino, e menino foge dela (quem não viveu isso atire a primeira pedra)! Com uma pequena diferença, desde o início do filme, vemos os dois lados da moeda. O que Bryce pensa sobre uma determinada situação e o que Juli pensa sobre a mesma coisa. Pontos de vista diferentes, e paralelos, sobre um mesmo assunto. É fascinante.Flipped

Tanto Callan Mc Auliffe, quanto Ryan Ketzner fazem dos seus “Bryce” (o garoto e o adolescente) fútil, covarde e bobão, bem “Maria vai com as outras”, como boa parte dos meninos da idade deles. Mas o poder do filme se encontra na solidez do personagem da Juli, uma belezinha fulminante, corajosa e intrépida, interpretada com muita personalidade pelas incríveis Morgan Lily e Madeline Carrol.

Em particular, Morgan Lily é uma figuraça. Essa fedelhinha dá um show com aquela cara de cobiça quando bate os olhos a primeira vez no coitado do Bryce. Ela cerca ele por todos os lados, chega a ser cômico o incômodo que ela causa no menino.

Mas é Madeline Carrol que arrasa o nosso pobre coração. A cena da árvore é de encher os olhos de lágrimas... A força e a segurança que ela passa ao seu personagem nos dão a certeza de que, num futuro bem próximo, Hollywood vai derreter aos seus pés.

Temos ainda o belo Aidan Quinn como o pai da Juli, um homem sensível, que leva uma vida regrada para poder cuidar do irmão deficiente. Enquanto Anthony Edwards (Dr. Mark Greene – E.R.) faz o babacão do pai do Bryce, cheio de preconceitos e atitudes repugnantes. Ah! Sem poder esquecer do avô do Bryce, interpretado pelo sensacional John Mahoney.

FlippedUm filme tocante, com duas famílias distintas, pois uma é “pobre” mas unidos e felizes e a outra, apesar de ter tudo, não sabe bem o que é felicidade e união. Cheio de lições de moral, de amor não correspondido, de amizades e relacionamentos, este é um filme que nos faz bem assistir. Quando o filme termina, você fica com a nítida impressão de que algo prazeroso acabou de passar por sua vida e se vê sorrindo como bobo.

Todos nós um dia tivemos nosso primeiro amor. E tivemos aquele amor que não foi correspondido, e nos vimos buscando ele até que enchemos o saco e largamos de mão esse sentimento, então, o mala – que era o objeto de amor – resolve nos dar bola quando a gente não quer mais, e assim começa o círculo vicioso do amor e do desamor.. Cest la vie.

“… o todo ser é maior do que a somas das suas partes…”

Encantador, suave, um refresco para a alma. Vale conferir. Me apaixonei.Excelente

Obs.: Uma falha feia na capa do DVD, ele nunca sentou ao lado dela na árvore…

sábado, 23 de abril de 2011

No que você acredita?

O Ritual (The Rite)

O-Ritual-poster Ano: 2011

Direção: Mikael Håfström

Duração: 114 min.

Gênero: Drama; Terror; Suspense.

Elenco: Anthony Hopkins (Padre Lucas Trevant); Colin O'Donoghue (Michael Kovak); Alice Braga (Angeline); Ciarán Hinds (Padre Xavier); Toby Jones (Padre Matthew); Rutger Hauer (Istvan Kovak); Marta Gastini (Rosaria).

Muito já se falou sobre esse tema e a melhor produção já feita em todos os tempos continua sendo o clássico “O Exorcista”, de 1973. Mas “O Ritual” tem seus méritos.

Este não é um filme de terror, cheio de sustos, vômitos e sangue. [Se você gosta disso, passe longe. Essa não é sua praia.] É um excelente suspense, tenso e dramático, sobre a fé, seus questionamentos e sua religiosidade.

Kovak não acredita no demônio e tem certeza que tudo o que ele vê são apenas problemas psicológicos, e que é preciso saber diferenciar possessão de doença mental. Mas todas as suas teorias e sua falta de fé são testadas a partir do momento em que ele se envolve nos rituais de exorcismo do padre Lucas (Anthony Hopkins). E este, por sua vez, toma a cena do filme. Anthony Hopkins, como há muito não se via, dá um encanto maligno ao seu personagem. Podemos ver de volta o velho olhar psicótico do Dr. Hannibal Lecter, e todo o cinismo que só ele (e Jack Nicholson) tem. Creio que ele estava certo ao dizer que foi um dos melhores filmes que ele fez nos últimos tempos.

Contamos ainda com a sutil participação de Ciarán Hinds (Captain Frederick Wentworth de Persuasão – Jane Austen) e Rutger Hauer (o eterno replicante louraço Roy Batt de Blade Runner). E temos ainda a Alice Braga, que na verdade seu papel seria o de Matt Baglio(*), a jornalista que busca uma história real sobre exorcismo, nada demais. O lado mais fraco do filme se deve ao seu protagonista Colin O’Donoghue, pois seu Michael Kovak é tão descrente e insosso que você fica na certeza que não crê em nada do que ele faz.

Um detalhe: a cena em que Padre Lucas atende ao celular em meio a um exorcismo, é demais, exagerada, mas engraçada. Ajuda a quebrar um pouco a tensão do filme. 

Apesar de ter um tema já muito batido, "O Ritual" nos envolve e seduz de uma maneira simples e ao mesmo tempo, intensa. Não há grandes sustos ou cenas terríveis, e isso dá o tom de veracidade da história. Eu recomendo para quem gosta de um bom drama com uma pitada de suspense. Vale conferir.Interessante

(*) O Ritual foi inspirado no livro The Making of a Modern Exorcist de Matt Baglio.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Lutar, procurar, encontrar e não se render...

Uma Semana (One Week)

One Week1 Ano: 2008

Direção: Michael McGowan

Duração: 94 min.

Gênero: Drama;

Elenco: Joshua Jackson (Ben Tyler); Campbell Scott (Narrador); Liane Balaban (Samantha Pierce).

"O que fariam se soubessem que tinham apenas um dia, ou uma semana, ou um mês de vida? A que barco salva-vidas se agarrariam? Que segredo contariam? Que banda iriam ver? A que pessoa declarariam seu amor? Que desejo realizariam? A que local exótico viajariam para tomar um café? Que livro escreveriam?"

Ben Tyler é um professor frustrado que está noivo de Samantha. Ele é diagnosticado com um câncer terminal e fica ciente que sua sentença de morte já está escrita. Num impulso, compra uma moto e decide embarcar numa viagem para atravessar todo o Canadá de leste a oeste. Esta é a viagem de sua vida.

Um conto comovente de um homem em busca de sua identidade, de uma vida, de uma história, de se encontrar e saber, com isso, o que fazer do tempo que lhe resta.

Narrado ao melhor estilo Amélie Poulain, One Week é uma ode ao Canadá. E traz como pano de fundo a sensacional paisagem canadense, apoiada por uma fantástica trilha sonora (Melissa McClelland, Sam Roberts, Wintersleep, Stars, Emm Gryner e outros grandes da música canadense).

O filme é modesto em estrutura e suave em seu humor, mas o que ele capta na lente da câmera é precioso: a chuva caindo sobre o musgo verde-azulado das florestas de Ontário, a neblina poeirenta de um pôr do sol na pradaria, está tudo lá, é tudo lindo. O Canadá é muito lindo! Me encantei!

A paisagem quase ofusca o desempenho de Joshua Jackson. É um papel que exige que ele não aja, mas que reaja e ainda tire alguns risos de tudo isso. Ele não diz muita coisa e na maioria das vezes ele simplesmente olha, com as mãos nos bolsos, os maiores “monumentos de coisas estranhas do mundo” – creio que canadense gosta disso. Tipo: o maior camelo do mundo, o maior clip do mundo, a maior cadeira do mundo, e por aí vai... Enquanto um narrador onisciente explica tudo o que ele está pensando. Seu “Ben” poderia facilmente parecer enfadonho, mas ele só parece real, muito real. E no caminho em busca de sua história, ele vai tecendo uma nova e surpreendente teia de amigos.

Um detalhe: a cena da quadra de hockey, em que ele beija o troféu é perfeita, pois mostra claramente a grande paixão de um povo por este esporte.

Um filme tocante e absolutamente imprescindível para quem crê que a vida tem muito mais a oferecer.

Eu, que não gosto de motos, fiquei com aquela vontade se comprar uma harley e sair por aí (até parece!!!)...

Não tenho muito o que falar, somente que vale conferir cada um dos seus 94 minutos de puro deslumbre. Bem vindo ao Canadá! Excelente

domingo, 13 de março de 2011

Nada é de graça...

Bravura Indômita (True Grit)

True_Grit_poster11 Ano: 2010

Direção: Joel Coen e Ethan Coen

Duração: 110 min.

Gênero: Faroeste

Elenco: Jeff Bridges (Agente Federal Reuben J. “Rooster” Cogburn); Hailee Steinfeld (Mattie Ross); Matt Damon (Texas Ranger La Boeuf); Josh Brolin (Tom Shaney); Barry Pepper (Ned "Sortudo" Pepper).

"As pessoas não crêem que uma jovem garota possa sair de casa e sair no inverno para vingar o sangue de seu pai, mas aconteceu. Eu tinha apenas 14 anos quando um covarde chamado Tom Chaney, atirou em meu pai. E lhe tirou a vida e o cavalo, e 2 peças de ouro da Califórnia que ele carregava em suas calças. Chaney era um homem contratado e papai tinha levado ele para Forte Smith para ajudá-lo a levar de volta uma série de pôneis mustangs que ele havia comprado. Na cidade, Chaney caiu na farra e nas cartas, e perdeu todo seu dinheiro. Ele pôs na cabeça que tinha sido enganado e voltou para a pensão para pegar seu rifle Henry. Quando papai tentou intervir, Chaney atirou nele. Chaney fugiu. Ele poderia ter montado seu cavalo, que nenhuma alma naquela cidade se importaria em persegui-lo. Sem dúvida Chaney achava que estava livre. Mas ele estava errado. Você deve pagar por tudo nesse mundo, de um jeito ou de outro. Nada é de graça. Exceto a graça de Deus."

Assim começa a história da menina Mattie Ross (Hailee Steinfeld), de apenas 14 anos, que descobre que seu pai foi assassinado e roubado pelo malvado Tom Shaney (Josh Brolin). Em busca de vingança, ela resolve contratar o bebarrão e caolho Agente Federal Reuben J. "Rooster" Cogburn (Jeff Bridges), para ir atrás do bandido. Inicialmente ele recusa a oferta, mas como precisa de dinheiro acaba aceitando. Mattie exige ir junto com Rooster, o que para ele não é uma boa idéia. Para capturar Shaney eles precisam entrar em território indígena e encontrá-lo antes de La Boeuf (Matt Damon), um policial do Texas que está à sua procura devido ao assassinato de um senador.bravura-indomita_003cronicascariocas

Geralmente não gosto de refilmagens, principalmente as feitas de filmes que se tornaram clássicos. Em 1969, John Wayne arrasou com seu “Rooster” e me parecia impossível alguém superá-lo. Doce engano o meu.

Esta refilmagem do clássico Bravura Indômita, baseada no livro de Charles Portis feita pelos irmãos Coen, pode ser considerada um clássico do clássico. Ela é perfeita!

Jeff Bridges está fenomenal como o xerife Reuben J. "Rooster" Cogburn, seu forte sotaque, seus trejeitos de bebarrão e toda a arrogância que seu personagem exala. Ele nasceu para ser “Rooster”. Mais uma vez a parceria irmãos Coen e Jeff Bridges dá certíssimo (O Grande Lebowski - 1998). Assim como dos Coen com o Josh Brolin (Onde os Fracos Não Têm Vez – 2007, e Cada Um Com Seu Cinema - 2007).

Matt Damon está irreconhecível com seu policial texano La Boeuf, e também arrasa na interpretação de mais um personagem totalmente diferente do seu cansativo excesso Bourne.Bravura-Indomita-27 (1)

Mas o melhor do filme é a estreante Hailee Steinfeld, que simplesmente nos seus poucos 14 anos, dá um banho de interpretação e força a uma personagem que se sobressai divinamente bem perante a monstros sagrados de Hollywood. Essa menina tem futuro, e um dos mais brilhantes possíveis. Ao menos ela está no caminho certo.

Uma reclamação: o nome de Hailee não aparece nos cartazes do filme, o que foi um desleixo e uma grande pena, pois tudo gira em função dela, que narra a história e conduz com maestria toda a trama.

Bravura Indômita é um filme excelente e conta com uma fotografia excepcional. Mas mesmo sendo primoroso, não deixa de ter cenas que a gente chaga a se perguntar que lombra foi essa? Como a cena do cara vestido com a capa de lobo... O que era aquilo? Muito Coen para mim...

Amei a voz que Jeff Bridges faz, todo o álcool e toda a sua coragem estão claramente passadas no tom de sua voz.

Um filme sobre bravura, coragem, um filme para macho mas que, com toda docilidade escondida nas entrelinhas, este é um filme que mulherzinhas gostarão, assim como eu gostei. Vale conferir.Excelente

quinta-feira, 10 de março de 2011

Eu quero... Eu preciso... Eu...

Amar... Não Tem Preço (Hors de Prix)

hors_de_prix Ano: 2006

Direção: Pierre Salvadori

Duração: 110 min.

Gênero: Romance; Comédia

Elenco: Audrey Tautou (Irène); Gad Elmaleh (Jean); Marie-Christine Adam (Madeleine); Vernon Dobtcheff (Jacques); Jacques Spiesser (Gilles); Annelise Hesme (Agnès).

A jovem e interesseira Irène (Tautou) está hospedada em um luxuoso hotel com seu amante rico, quando conhece o tímido garçom Jean (Elmaleh), surge uma atração entre os dois. Mas Irène confunde Jean com um ricaço e acha que pode unir o útil ao agradável. A partir daí começa uma sessão de encrencas e confusões, envolvendo identidades trocadas, e o esforço de Jean para manter sua farsa. Será que ele irá conseguir manter seu segredo, e se virar para sustentar os gostos caros da sua amada?

Para quem lembra daquela Audrey toda fofa e meiga de Amélie Poulain, esqueça-a! Audrey Tautou está ácida, arrogante e picaretamente pedante nesta produção divertida do cinema francês. Logo no início do filme você acaba ficando com raiva dela, por causa do jeito vadia que ela representa, mas no decorrer da película um quê da Amélie aparece sutilmente adocicando o personagem. Já o marroquino Gad Elmaleh faz o tipo feioso-sedutor-engraçado que cativa desde o primeiro momento, afinal, ele tem um olhar tão chorão, que dá dó! Com um figurino de encher os olhos de tanta grife (Chanel) e imensos decotes, Hors de Prix é um filme divertido, com uma estória bobinha e previsível, mas muito boa para relaxar. Vale conferir se você gosta de humor francês e é fã de Audrey Tautou.

Interessante

quarta-feira, 9 de março de 2011

Morrer é nascer em um novo mundo

Além da Vida (Hereafter)

alem-da-vida-poster1 Ano: 2010

Direção: Clint Eastwood

Duração: 129 min.

Gênero: Drama

Elenco: Matt Damon (George Lonegan); Cécile de France (Marie LeLay); George McLaren (Marcus); Frankie McLaren (Jason).

"Três pessoas são tocadas pela morte de maneiras diferentes. George (Matt Damon) é um americano que desde pequeno consegue manter contato com a vida fora da matéria, mas considera o seu dom uma maldição e tenta levar uma vida normal. Marie (Cécile De France) é jornalista, francesa, e passou por uma experiência de quase morte durante um tsunami. Em Londres, o menino Marcus (Frankie McLaren/George McLaren) perde alguém muito ligado a ele e parte em busca desesperada por respostas. Enquanto cada um segue sua vida, o caminho deles irá se cruzar, podendo mudar para sempre as suas crenças. "

Engraçado que, sempre que penso no Clint Eastwood me vem à mente Os Imperdoáveis, e associo seu nome aos filmes para machos. Mesmo depois das Pontes de Madison, Clint Eastwood é sinônimo de macho. Por isso foi uma grata surpresa de ver seu nome na direção de um filme voltado ao mundo espiritual.

É sabido que o fim existe e que ele é inevitável, mas não temos certeza do que há do outro lado. Neste filme, fica claro que, como em quase tudo na vida, existem as pessoas sérias e os picaretas que se aproveitam da dor das pessoas para explorá-las. Hereafter é de uma beleza cruel e dolorida, um filme lento, mas instigante. As cenas do tsunami são de uma realidade impressionante, pavorosa! Eu, que tenho medo do mar, me arrepiei toda! Deus me livre! Um horror! E a relação entre os dois irmãos e a mãe drogada é de partir o coração mais duro do mundo. São cenas que mexem com a gente, lá dentro, bem no fundo. Algo incomoda, dói, perturba. Você fica a imaginar como haverá de ter um final feliz para tanta dor e tanta perda. Já não chega Marie quase perder a vida física, e logo ela perde realmente a vida vivida por ela, seu emprego, suas lutas, seu pseudo “amado”? Ou a separação dos irmãos e da mãe? Por que tanta dor? Creio que George está certo ao ver seu dom como uma maldição. Não ia gostar de ter gente ao meu redor, somente para que eu falasse com seus mortos. Não. Isso seria terrível. Ajudar é uma coisa, ser explorado é outra.

O que mais achei interessante neste filme é que a morte vem atrelada ao velho conceito de renovação, de recriação e de mudança. Morrer é nascer em um novo mundo, em uma nova vida, e creio que nós morremos um pouco todos os dias, para renovarmos nossa vida constantemente. Para toda dor, existe um remédio, uma cura, basta procurá-los.

Os garotinhos Frankie e George McLaren dão um show de atuação. Os olhares, a cumplicidade e o sofrimento são tão claros e tão bem passados em seus gestos, que seus personagens nos envolvem em sua triste história. É como se você sentisse a dor deles.

E Matt Damon, depois das porradas dos vários Bournes, está perfeito e convincente como George, o vidente sensível que sofre para ter uma vida normal, enquanto seu irmão só pensa em explorá-lo.

E quanto a Cécile De France, essa linda atriz belga, mas quase francesa (mudou-se para a França aos 17 anos), o que posso dizer é que ela é cativante e divina em seu papel. Seus olhos são tão expressivos que você vê o pânico estampado neles quando ela é atingida pela tsunami, a luta por sua vida, o vazio em sua quase morte... Ela é mais um bom presente que o cinema francês dá ao mundo.

Como eu gosto do tema, sou suspeita para falar, mas Hereafter foi e é um dos melhores filmes ligados ao lado espiritual que vi nos últimos anos. Sensível, triste e envolvente. Nem só de macho Clint Eastwood é feito. Vale conferir. Excelente

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Nem tudo que vem da água é peixe...

Ondine

ondineAno: 2009

Direção: Neil Jordan

Duração: 111 min.

Gênero: Drama, Romance

Elenco: Colin Farrell (Syracuse); Alicja Bachleda (Ondine); Stephen Rea (Padre); Tony Curran (Alex); Emil Hostina (Vladic); Dervla Kirwan (Maura); Alison Barry (Annie).

Para quem gosta das lendas e do folclore irlandês, Ondine é um prato cheio. Esta é a estória de Syracuse (Colin Farrell), um pescador azarado e ex-pinguço que tem sua vida transformada após “pescar” literalmente uma mulher em sua rede. Esta, por sua vez, faz mistério de quem é, e apresenta-se como Ondine (que significa ninfa da água). Syracure tem um grande amor que é sua filha Annie (a ferinha estreante Alison Barry), que sofre de uma doença renal e que se encanta com Ondine - interpretada pela atriz polonesa Alicja Bachleda) - e passa acreditar que a mulher na verdade é uma selkie, um ser da mitologia celta, que pode conceder desejos e trazer sorte. Pai e filha começam a acreditar na fantasia após estranhos acontecimentos que coincidem realidade com ficção. Mas, como em todo conto de fadas, nem tudo são flores, logo o lado negro da coisa vai aparecer e toda felicidade pode desmoronar a qualquer momento.

É um filme interessante, mas para mim, o Colin Farrel estava no papel errado, na hora errada, no filme errado. Ele não passa de um tremendo canastrão querendo fazer papel de santo. Não rola! O lugar do Colin Farrel é em filmes de ação, por mais irlandês que ele seja, por mais fofo que ele possa parecer, ele não passa a credibilidade que o personagem precisa, ele não seduz. Posso até está sendo injusta, mas esse foi o ponto fraco do filme. A Alicja Bachleda, ao contrário do seu parceiro, é meiga, mágica, linda, e docilmente fascinante, como sua personagem ela é quase tão etérea como só uma ninfa pode ser. A química entre eles (Alicja e Colin) funciona, mas não me encanta. Já a menina – Alison Barry – me lembrou um pouco a Dakota Fanning, mas mais chatinha, apesar do banho de atuação. E como é um filme irlandês, do Neil Jordan ainda mais, tinha que ter Stephen Rea, como o bom padre conselheiro.

A trilha sonora é um caso a parte, porque quando você vê a costa irlandesa, com aquele mar bravo, os penhascos, o vento forte, ao fundo um som viajante e ao mesmo tempo envolvente, não tem como não ficar fascinado. A música te transporta, te seduz e encanta. Temos belas canções de Sigur Rós. O visual é lindo, a trilha sonora é perfeita. É um filme que vale conferir, sem muitas expectativas, mas um belo conto irlandês.

Interessante

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

LUCY MARIA BOSTON

Através do Tempo (From Time To Time)

From_Time_to_Time Ano: 2009

Direção: Julian Fellowes

Duração: 95 min.

Gênero: Drama

Elenco: Alex Etel(Tolly); Maggie Smith (Linnet); Dominic West (Caxton); Timothy Spall (Boggis); Hugh Bonneville (Captain Oldknow); Carice Van Houten (Maria Oldknow); Eliza Bennett (Susan); Pauline Collins (Mrs. Tweedle); Harriet Walter (Lady Gresham); Douglas Booth (Sefton); Allen Leech (Fred Boggis); Kwayedza Kureya (Jacob).

Esta é a história de Tolly, um garoto de aproximadamente 13 anos que vai passar as férias com a avó paterna em sua mansão, no sul da Inglaterra. O período é o final do ano de 1944, durante a II Guerra Mundial. A casa é muito antiga e as paredes escondem histórias e fantasmas que o tempo não conseguiu apagar. Tolly começa a ver os fantasmas do passado e a dividir com eles sua história, onde, passado e presente se misturam formando uma trama que pode levá-lo a desvendar mistérios há muito esquecidos em outras épocas.

Amei esse filme! É uma mistura de “Os Outros”(2001) com “Linha do Tempo” (2003). O passado depende do presente e o presente não existiria sem o passado. Com um elenco de peso da dramaturgia inglesa, infelizmente “From Time To Time” passou despercebido pelo mundo. Pouca gente viu ou ouviu falar desta obra.

O diretor Julian Fellowes foi buscar no baú de sua infância a fascinante história das aventuras do garoto Tolly, adaptado do clássico romance infantil The Chimneys of Green Knowe (As Chaminés de Knowe Verde de 1958), segundo livro de uma série de seis, escritos pela inglesa Lucy Maria Boston (1892-1990).

Algumas considerações interessantes...

  • Lucy M. Boston só teve seu primeiro livro publicado após seus 60 anos de idade.
  • Todas as histórias são passadas em Green Knowe, uma bela casa antiga que foi inspirada da verdadeira casa de Lucy, The Manor, em Hemingford Grey, Cambridgeshire, Grã-Bretanha. The Manor tem mais de 900 anos e é uma das casas mais antigas de toda a Bretanha.
  • As histórias de Lucy são baseadas nas experiências familiares vividas por ela.
  • No início da década de 1950, Lucy Boston começou a pensar em escrever a sério. Seu único filho, Peter foi sua inspiração para Tolly, e ele passou a fazer todas as ilustrações para seus livros. Hoje, a viúva de Peter, Diana, mantém a casa (The Manor) aberta ao público. Se você estiver um dia de bobeira na Grã-Bretanha, dá uma passadinha para visitar a casa e o jardim (dizem que é lindo), entre no site http://greenknowe.co.uk/index.html para obter mais informações.
  • Diana Boston foi de extrema importância para a realização da adaptação cinematográfica das chaminés de Green Knowe. Após assistir a inúmeras entrevistas de Julian Fellowes dizendo que a série fazia parte de seus livros favoritos da infância, Diana resolveu procurar o diretor, contar que ela morava na verdadeira Green Knowe e quem era ela. Daí para frente, tudo começou a andar e logo From Time To Time já estava pronto.
  • Diana, além de ser a guardiã da casa The Manor, ela trabalha arduamente para manter vivo o legado de Lucy M. Boston, editando independentemente a maioria dos seus livros.

É um filme bonito, muito britânico, sobre família e seus segredos. Vale conferir. Eu amei.

Interessante

domingo, 30 de janeiro de 2011

Mais que um clichê...

O Discurso do Rei (The King’s Speech)

Ano: 2011

Direção: Tom Hooper

Duração: 118 min.

Gênero: Drama

Elenco: Colin Firth (Rei George VI – Bertie para a família); Helena Bonham Carter (Rainha Elizabeth); Derek Jacobi (Arcebispo Cosmo Lang); Geoffrey Rush (Lionel Logue); Calum Gittins (Laurie Logue); Jennifer Ehle (Myrtle Logue); Dominic Applewhite (Valentine Logue); Ben Wimsett (Anthony Logue); Freya Wilson (Princesa Elizabeth); Ramona Marquez (Princesa Margaret); Michael Gambon (Rei George V); Guy Pearce (Rei Edward VIII – David para a família); Patrick Ryecart (Lord Wigram); Simon Chandler (Lord Dawson); Claire Bloom (Rainha Mary); Orlando Wells (Duque de Kent); Tim Downie (Duque de Gloucester); Timothy Spall (Winston Churchill).

Fantástico! Esta é a palavra para definir “O Discurso do Rei”. Eis uma aula de como fazer um filme emocionante sem ser de ação, ou 3D, ou cheio de papagaiada. Basta ter nas mãos um bom roteiro e um elenco de mestres da atuação para que o sucesso seja imediato. Não é à toa que “O Discurso do Rei” está com 12 indicações nesta 83ª edição do Oscar. Melhor Filme; Melhor Diretor (Tom Hooper); Melhor Roteiro Original; Melhor Ator (Colin Firth); Melhor Ator Coadjuvante (Geoffrey Rush); Melhor Atriz Coadjuvante (Helena Bonham Carter); Melhor Fotografia; Melhor Edição; Melhor Trilha Sonora Original; Melhor Direção de Arte; Melhor Figurino; Melhor Mixagem de Som.

Em 16 de janeiro de 2011, no Golden Globe Awards, considerado a prévia do Oscar, Colin Firth já arrastou o prêmio de Melhor Ator de Drama. Tudo indica que poderá ser o ganhador do prêmio maior com sua excelente atuação em “O Discurso do Rei”.

Sou fã ardorosa do Colin Firth desde seu apaixonante Mr. Darcy, mas como Bertie ele está simplesmente insuperável. Você vê todo o drama, todo o sofrimento e todo o desespero em seus olhos quando ele, Duque de York, tem que falar em público. Ele consegue passar para o espectador o medo, a tristeza, a vergonha e principalmente a solidão e o desespero de ser um homem público gago. Você sente com ele toda essa agonia. É simplesmente fantástico!

Isso sem falar no show à parte de Geoffrey Rush. Este notável ator australiano de 59 anos, já reconhecido pela academia por seu papel em Shine, agora tem mais uma chance de angariar outro Oscar com seu eloquente Lionel Logue, um homem que não se rende ao medo por respeito a um rei, mas se entrega nessa total amizade em busca de uma confiança há muito perdida.

E temos por fim a estranha Helena Bonham Carter, em um papel de âncora como Elizabeth (a Rainha Mãe), pois é ela quem dá a base e o apoio necessário a Bertie para que ele não desista e supere seus traumas e medos. Uma atriz fascinante quando está longe dos estranhos e obscuros personagens de seu marido (Tim Burton).

Um filme cheio de diálogos, de emoção e dramas. Esta é a história de um rei, um rei por ocasião, pois não lhe foi dado o trono como herdeiro principal após a morte de seu pai. O trono lhe veio somente após seu irmão David (Rei Edward VIII) abdicar de seu reinado para poder se casar com o amor de sua vida, Wallis Simpson, uma americana divorciada. [Um aparte: não gostei da forma como Edward foi retratado, nos dá a nítida impressão que ele era um homem totalmente fútil e inconsequente, dominado por uma mulher insuportável. Mas isso é outra história.] Voltando ao que interessa... Bem, Bertie, antes de ser coroado Rei, começa a tratar-se com o Sr. Lionel Logue, que o ajuda a controlar sua gagueira. Deste trabalho nasce uma grande amizade, onde profundas cicatrizes serão curadas com o tempo e muita perseverança.

“O Discurso do Rei” é um filme brilhante, sem firulas e sem cenas de ação. É basicamente composto de diálogos e interpretações veneráveis. Se prendam aos detalhes, aos olhares de desespero, de súplica, de aceitação e apoio. É quase inconcebível aceitar a cena de um Rei aos gritos de shit, shit, shit, fuck you, fuck you, fuck you. Chega a ser até engraçado.

Fico imaginando toda a agonia que este nobre inglês passou durante boa parte de sua vida – como se não bastassem todos os protocolos, floreios e normas de comportamento e vivência – para controlar sua gagueira perante uma multidão de pessoas que contam com você como um ser quase divino. Deveria ser algo realmente sufocante e desesperador.

Para nós, pobres mortais, seres comuns, ser gago já é complicado, pois ser diferente normalmente é motivo de chacota. Imagine para um governante, um rei. Nada na vida vem fácil, e mesmo para um rei, ele teve muito mais batalhas pessoais a serem travadas e conquistadas, e superação é isso. Essa é uma história de superação e de amizade, um clichê bem batido em Hollywood, mas feito de uma forma primaz e contundente. Vale conferir.Excelente

sábado, 29 de janeiro de 2011

Impetuosa Adèle Blanc-Sec

As Múmias do Faraó (Les aventures extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec)

as-mumias-do-farao_Les-aventures-extraordinaires-d-Adele-Blanc-Sec Ano: 2010

Direção: Luc Besson

Duração: 105 min.

Gênero: Aventura

Elenco: Louise Bourgoin (Adèle Blanc-Sec); Mathieu Amalric (Dieuleveult); Gilles Lellouche (Inspecteur Léonce Caponi); Jean-Paul Rouve (Justin de Saint-Hubert); Jacky Nercessian (Marie-Joseph); Philippe Nahon (Professeur Ménard); Nicolas Giraud (Andrej Zborowski); Laure de Clermont-Tonnerre (Agathe Blanc-Sec).

Adèle é uma jovem e aventureira repórter capaz de qualquer coisa para conseguir o que quer. Ela vai até o Egito em busca da cura da doença de sua irmã, na tumba secreta de um faraó. Ao retornar para Paris, ela percebe que o pânico tomou conta da população. Um ovo de dinossauro de milhões de anos se chocou misteriosamente no museu e a criatura está aterrorizando a cidade. Além disso, coisas estranhas continuam acontecendo no museu. Mas, nem o perigo e nem todo mistério por trás dos curiosos acontecimentos impedirá Adèle de conseguir salvar sua irmã. Prepare-se, a aventura está apenas começando!

Primeiramente sou fã de Luc Besson e A-M-E-I essa homenagem a um dos maiores cartunistas franceses Jacques Tardi. Raros os casos como os cartuns de Asterix e Tintim, no Brasil, nunca se ouviu falar de Adéle Blanc-Sec, esta impetuosa, cínica e corajosa repórter dos quadrinhos de Tardi. Personagem de sucesso na França, no período de 1976 a 2007, Adèle era até então desconhecida da maior parte do público brasileiro. E para não mudar o estilo, assassinaram o título do filme com o nome em português de “As Múmias do Faraó” – de quem será que foi essa idéia criminosa de escolher um título tão chinfrim assim??? Vale morrer!!!les_aventures_extrodinaires_dadele_blanc-sec_final_poster Até o pôster original é mais interessante!

Vamos ao que interessa...

Adèle na verdade é uma Indiana Jones de saia, só que com menos efeitos especiais e com muita impetuosidade feminina. Ela é cínica de doer, pensa rápido como o MacGyver, apronta como o Indiana e no fundo é tão louca quanto Rick O'Connell, essa é a heroína desse filme! Ela não obedece ninguém, e faz o que dá na telha para atingir seu objetivo. E tem as múmias, sim, elas aparecem na metade do filme, roubam a cena e fecham a trama, mas não justifica a escolha do nome em português.

Luc Besson arrasa ao recriar o visual da virada do século de uma França charmosa antes da I Guerra Mundial, o cuidado com os pequenos detalhes, um figurino impecável e fotografia espetacular. Há piadas desnecessárias, vilões que poderiam ser apagados da trama, mas nada que atrapalhe a diversão.

Sem muitos efeitos especiais, Les Aventures Extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec é um filme de aventura que garante uma sessão da tarde divertida e interessante para todos os gostos e idade. Como tudo que Luc Besson faz, eu gostei e vale conferir. E mais uma vez, a parceria Luc Besson e Eric Serra funciona muito bem na trilha sonora. Interessante

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Vive La France - Romain Duris

Romain Duris Ontem sofri uma overdose de Romain Duris (28/05/1974 – 36 anos), este jovem ator francês que além de ter uma cara de canastrão, ser meio feioso, é extremamente talentoso e charmoso (!?!). Duris é um daqueles casos raros que foi descoberto, aos 18 anos, no meio da rua pelo diretor Cedric Klapisch, que buscava um protagonista para o seu filme Le Peril Jeune. De lá para cá, foi somente glórias. É um dos atores mais respeitados da França e já teve 3 indicações ao Cesars (equivalente francês ao Oscar). Ele é muito gaulês para o meu gosto, mas os dois filmes que vi dele gostei da sua atuação. Afterwards (2008) é um filme tenso, às vezes até monótono, mas de uma realidade dolorosa, afinal, a morte é a nossa única certeza na vida, e devemos estar preparados para quando ela chegar. Enquanto Heartbreaker (2010) é uma comédia bobinha romântica, bem ao estilo francês, mas divertida na medida certa.

Depois de Partir (Et Apress / Afterwards)

afterwards Ano: 2008

Direção: Gilles Bourdos

Duração: 107 min.

Gênero: Drama; Suspense

Elenco: Romain Duris (Nathan); John Malkovich (Doctor Kay); Evangeline Lilly (Claire); Pascale Bussières (Anna); Sara Waisglass (Tracey); Reece Thompson (Jeremy).

Nathan é um brilhante advogado que mora em Nova Iorque e possui uma carreira brilhante, bem diferente de sua vida pessoal que desmoronou após a morte prematura de seu filho e do seu sofrido divórcio com Claire, seu único amor. Um dia ele conhece o doutor Kay (John Malkovich), um médico misterioso que se apresenta como o "Mensageiro" e alega pressentir quando alguém está próximo da morte. Nathan custa a acreditar na profecia do médico, até que ele testemunha alguns acontecimentos que confirmam as palavras do tal médico e mostram que seus dias na terra estão se esgotando.

Como já disse é um filme tenso, monótono em alguns pontos, mas muito interessante. Nos faz questionar sobre a preparação da alma, do corpo e da mente para aceitar a morte, o que é inevitável. Uma das partes mais dolorosas é o questionamento do jovem de 17 anos que sabe que vai morrer, pois tem uma doença degenerativa, mas não aceita esta dor e nem a compaixão das pessoas. Ele se revolta com a situação e com o carinho e apoio que as pessoas tentam dar a ele nesta hora tão difícil. O desfecho é interessante.

O filme, como um todo, é uma maneira sutil de nos mostrar algo que sabemos que mais dia menos dia vai acontecer, para todos, sem exceção. Ninguém é eterno. E o que podemos fazer é quando chegar a hora, estarmos preparados. Funesto, mas verdadeiro.Interessante

Como Arrasar Um Coração (L'arnacoeur / Heartbreaker)

L-Arnacoeur-affiche Ano: 2010

Direção: Pascal Chaumeil

Duração: 105 min.

Gênero: Romance; Comédia

Elenco: Romain Duris (Alex Lippi); Vanessa Paradis (Juliette Van Der Becq); Julie Ferrier (Mélanie); François Damiens (Marc); Héléna Noguerra (Sophie); Andrew Lincoln (Jonathan Alcott); Jacques Frantz (Van Der Becq); Amandine Dewasmes (Florence); Jean-Yves Lafesse (Dutour); Jean-Marie Paris (Goran).

Alex Lupi é um sedutor profissional. Juntamente com sua irmã Mélanie e seu cunhado Marc, eles comandam um negócio para destruir relacionamentos indesejados. A missão de Alex é seduzir e abrir os olhos de sua presa para que ela se afaste do noivo, marido, ou namorado indesejado pela família ou amigos. Alex é contratado para seduzir Juliette Van Der Becq, filha de um milionário obscuro que está para casar em uma semana com o homem mais perfeito do mundo. Mas há um problema, Alex acaba se apaixonando por Juliette e muita coisa acontece até o dia do casamento.

Bem, esse roteiro é manjado, muito batido e bem bobinho, mas o filme é divertido e tem como personagens principais a considerada bela (eu não acho!) Vanessa Paradis (senhora Johnny Depp) – ela é uma mistura de Kate Moss com Madonna – e o feioso/charmoso Romain Duris, este é um caso a parte, pois basta você olhar a cara do canastrão fazendo choro que você morre de rir ou ele fazendo a dançinha de Dirty Dancing ao estilo Patrick Swayze, genial!!!

O filme cumpre sua missão de divertir sem entediar e sem os super-efeitos hollywoodianos, mas com aquele humor gaulês refinado. Vale conferir como uma boa sessão da tarde.BOM

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